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Autoamor e Autopunição, qual escolher?

Por que muitas vezes escolhemos ser tão críticos conosco mesmos? O que nos leva a crer que precisamos ser perfeitos, não podemos cometer um mínimo erro, ou então merecemos um baita castigo?

Trazemos neste texto a reflexão sobre Autoamor e Autopunição, e porque devemos escolher o amor em vez da punição para aplicar a nós mesmos (e aos outros, por que não?).

Para começar a falar de autopunição, precisamos entender o que está na base, que é o Perfeccionismo Nocivo - em oposição à busca saudável por um alto padrão de desempenho e relacionamentos, através de motivação e disciplina.

Segundo Freud, nossa construção psíquica está baseada em 3 estruturas: Id, Ego e Superego. O Id, basicamente se relaciona às nossas pulsões mais primitivas, nossas reações mais primárias e instintivas, como por exemplo uma criança que vê um brinquedo que deseja e simplesmente o toma, sem questionar se tem alguém brincando com ele, ou se o objeto é mesmo um brinquedo ou algo que possa lhe causar algum dano...

Já o Ego é uma estrutura que se forma com a maturação da pessoa, trazendo elementos sociais e conscientes, leva em conta as normas e regras sociais para a interação com os outros e com o mundo em geral. O Ego garante que sejamos pessoas adaptadas à nossa cultura e nossa sociedade...

O Superego por sua vez é nosso Juiz Interno. Ele é especialmente responsável pelo que estamos classificando como Autopunição, na medida em que classifica e ordena as coisas em “Certo OU Errado”, sem meio termo. Normalmente, a crítica exagerada que fazemos de nós mesmos e de nossas ações está ancorada na rigidez de nosso Superego, que determina que qualquer pequeno erro se torna passível de uma punição severa, relacionada à culpa de ter cometido o erro. O Superego também pode ser bem rigoroso em relação aos parâmetros internos, colocando a perfeição como patamar mínimo (e não meta quase inatingível), o que nos leva a não reconhecer pequenas vitórias e esforços, além da imposição de grande rigor na autoavaliação e punição.

Estudada por muitas correntes, desde Freud, Lacan, Melanie Klein, até as mais recentes áreas de estudo como Eneagrama, e também por religiões e correntes espiritualistas, a autopunição está ligada ao Perfeccionismo, não se aceitar como ser humano, passível de erros e defeitos assim como de qualidades e virtudes. Extremismo, radicalismo, olhar para os próprios erros e enganos como coisas imperdoáveis e até catastróficas, que impugnam todo seu lado positivo e suas qualidades.

A comparação constante exagerada com os demais, a competitividade, ter que ser sempre melhor, mais perfeito, mais aceito, leva à autopunição. Existe um modelo extremamente idealizado do que é bom, e normalmente é um modelo distorcido e inatingível.

Então, o que é Autopunição? É ser muito crítico consigo mesmo, se exigir demais, sofrer com mínimos erros, não comemorar pequenas vitórias, se culpar por tudo que deu errado, se preocupar excessivamente com os outros, o que pensam, o que vão achar de você ter cometido aquele engano/erro.

Também achar que tudo que acontece é sua própria culpa. Isentar os demais de sua parcela de culpa, achar que tudo é responsabilidade sua.

Exagerar os pontos negativos, os enganos, os erros, as atitudes impensadas como ações e pensamentos definitivos e com enorme poder de destruição.

Exigir que suas ações e pensamentos atinjam perfeição absoluta é uma enorme violência consigo mesmo, uma exigência irreal que faz sofrer e detonar processos de autopunição. Este processo gera culpa, raiva, inveja e decepção.

Repetir palavras negativas sobre si mesmo "Como fui burra!", "Nossa, que idiota que eu sou", "não sei falar, sou um cavalo", "sempre faço tudo errado" são exemplos de coisas que as vezes dizemos sem perceber e que nos afetam diretamente.

Em proporções mais extremas, a autopunição pode levar a depressão e ansiedade (mesmo em crianças), automutilação, transtorno de ansiedade social e agorafobia, burnout, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), compulsão alimentar, anorexia, bulimia, estresse pós-traumático, síndrome de fadiga crônica, insônia, colecionismo, dores de cabeça crônicas e até suicídio.

Autoamor e autocompaixão

Estudos recentes mostram que o "antidoto" para lidar com o perfeccionismo e a autopunição é o autoamor e autocompaixão. A autocompaixão – virtude que falta aos perfeccionistas – é uma das formas de proteção mais poderosas contra a depressão e a ansiedade.

Autocompaixão é a capacidade de ser bom e compreensivo consigo mesmo. Ser mais ameno nos julgamentos, compreendendo que você está inserido em um contexto, tem sua história de vida, e que tem suas qualidades e defeitos, é por isso mesmo um ser humano integral, com luz e sombra. Compreender que você é maior que seu resultado pontual. Reconhecer vitórias também, e não focar apenas nas derrotas.

Autoamor engloba a autocompaixão, autoestima, e uma boa dose de carinho e gentileza consigo mesmo!

Autoestima não é tudo. É sentir-se bem consigo mesmo, é acreditar na própria capacidade, apostar em si. É chegar "de peito aberto" nas situações. Mas, se a autoestima for exagerada também, vira quase uma competição, onde a pessoa olha para si como melhor que os outros. E isso pode ser uma armadilha, porque nem sempre conseguimos ser O Melhor. É bom gostar de si mesmo, acreditar em si, mas não é só isso. É ir um pouco além. Sentir-se bem, com seus pontos positivos e negativos, o que me leva a falar de autocompaixão...

Autocompaixão é o ato de pensar em si como humano, com qualidades e defeitos, acertos e erros. É trazer para si pequenos reforços, recompensas, que nutrem a alma. Ser gentil consigo próprio. Usar palavras positivas, repetir para si mesmo frases motivacionais, elogios. Desenvolver o hábito de comemorar pequenas vitórias. Registrar elogios. Aceitar o lado negativo e as falhas, mas também valorizar o bom e o positivo.

Da mesma forma que incentivamos alguém que amamos a não se desesperar pelo próprio erro, ou compreendemos que ele pode estar tendo um mau momento e acolhemos o engano do nosso ente querido, podemos e devemos fazer isso com a gente mesmo!

É diminuir a pressão pela perfeição, acreditar que está fazendo o melhor, e que tem o direito de errar às vezes...

Além disso, atos de Autoamor para mim tem a ver com trazer prazer e alegria para a própria vida.

Se você trabalha demais, com muita pressão, coloque um espaço na sua agenda para fazer algo que seja apenas fonte de prazer e alegria.

Autoamor também tem a ver com cuidar de si mesmo.

Se mimar em situações onde parece que não é possível ver um lado positivo. É usar aquela roupa que te faz sentir mais bonita, é chegar em casa e se dar o direito de colocar os pés para cima antes de arrumar as coisas, é poder comer um docinho sem pensar na balança de vez em quando, é se oferecer um banho gostoso, ou uma longa corrida para desestressar.

É assumir que quer conversar com alguém e ligar para aquele amigo ponta firme, mesmo que seja segunda feira e não tenha um ponto específico para falar. É assistir uma série ou ler um livro, mesmo que tenha um trabalho para entregar. É se olhar no espelho e sorrir para você mesmo. Dizer a si mesmo que está tudo bem, que você está bem, bonito, saudável...

É importante dizer que fazer tudo isso na dose certa evita que ocorra um exagero, transformando o Autoamor em excesso de complacência, procrastinação, e que acabam por trazer efeitos negativos que neutralizam a sensação de prazer e autovalorização.

Também há que se diferenciar Autoamor de Egoísmo. Valorizar a si mesmo, fazer coisas que TE dão prazer, confiar na sua opinião, sustentar seus valores não significa que você só pensa em você, mas que você se coloca em primeiro plano. Gosto muito de pensar como no avião "Primeiro coloque a máscara de oxigênio em você, para depois ajudar o outro".

Quanto maior o equilíbrio entre a pressão, as obrigações, o "tenho que" e aquilo que gera prazer e leveza, maiores as chances de desenvolver uma relação saudável com sua humanidade.

Além disso, usar palavras boas e positivas para si mesmo, em vez de negativas e pejorativas, é fundamental: as palavras ficam no campo, nós somos seres compostos na matéria por algo entre 70 e 75% de água. O experimento de Massaru Emoto com os cristais de água, reproduzido em diferentes situações mostra como os cristais de água reagem frente a elogios e xingamentos, imagina como nosso corpo, composto por 70% de água, reage a nossas constantes imprecações. Isto também pode ser uma autopunição, ou podemos transformar em fonte de autoamor.

Tudo o que falamos, pensamos ou intencionamos age sobre nós mesmos. Por isso a proposta de usarmos termos mais positivos, ainda que inicialmente eles não sejam ditos com tanta sinceridade, acabam por afetar positivamente nossa vida.

Experimente fazer um teste. Evite dizer palavras negativas sobre si mesmo, e as substitua por elogios ou autoafirmações durante 21 dias. Este tempo deve ser suficiente para seu cérebro registrar esse novo padrão e compreender a sua proposta. É um treino! A prática constante de usar palavras positivas para si mesmo, aliada a outras boas ações consigo, mais gentileza, menos exigência de perfeição e compassividade são excelentes proposições para evitar a autopunição e manter-se com mente e espírito saudáveis!

Esperamos que essas palavras te dêem aquele empurrãozinho na direção do Autoamor!

Um grande abraço

Raquel de Moraes Sarmento

Psicóloga Antroposófica

CRP 06/126910

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